Refletindo Política à luz de Jesus e os apóstolos

“E enviaram-lhe os seus discípulos, com os herodianos, dizendo: Mestre, bem sabemos que és verdadeiro, e ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens. Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não? Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro. E ele diz-lhes: De quem é esta efígie e esta inscrição? Dizem-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E eles, ouvindo isto, maravilharam-se, e, deixando-o, se retiraram.” Mateus 22:16-22

O maior conceito de política que a Bíblia nos apresenta foi dado pelo Senhor Jesus Cristo. Certa feita, o Mestre foi interpelado por pessoas mal intencionadas sobre a questão do pagamento de impostos ao imperador romano. “É lícito pagar tributo a César ou não?”, perguntaram. Jesus pediu que mostrassem uma moeda e interrogou: “De quem é esta efígie e inscrição?

De César”, responderam. Então, lhes disse: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Em outras palavras, o Mestre queria dizer: “Sim, devemos pagar imposto. Honrar a Deus não significa desonrar o imperador”. Sem dúvida, os Apóstolos Pedro e Paulo tinham em suas mentes o ensino de Jesus ao tratarem em suas cartas de “alguns temas políticos”. Ambos enfatizam a importância da obediência e honra às autoridades pelo simples fato de serem “ministros de Deus”, conforme a expressão usada por Paulo.

A desobediência civil é justificada na Bíblia somente quando as autoridades se opõem aos princípios da Bíblia, tão-somente quando as autoridades intencionalmente se opõem ao Evangelho de Jesus para cometerem injustiças (cf. At 4.18,19). E se a desobediência civil não fosse justificável nesse sentido, Pedro e Paulo jamais insistiriam em suas epístolas pela obediência às autoridades (Rm 13.1-7; I Tm 2.1,2; I Pe 2.11-17).
 
É interessante esse apelo apostólico porque as Igrejas a quem eles se dirigiam, viviam naquela época sob o governo déspota e tirano de Nero. Porém, a recomendação não era pelo que o imperador e as demais autoridades significavam em si mesmos e, sim, porque ocupavam a posição político-administrativa instituída por Deus. Lembremos que quando Pilatos disse a Jesus: “Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar?”, a resposta do nosso Senhor foi: “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima (de Deus) não te fosse dada”.
 
Quando Jesus diz em Mateus 22:21: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, não quis dizer, como bem observou Francis Schaeffer DEUS e CÉSAR, foi, é e sempre será assim: DEUS, depois CÉSAR. Por causa dessa autoridade que vem de Deus, é que o povo tem deveres para com as autoridades constituídas. E por causa dessa mesma autoridade vinda de Deus, é que os políticos devem tratar o povo com justiça e respeito.

Refletindo sobre Política

Um dia desses recebi, por meia de mensagem no Twitter, uma série de questionamentos sobre a ocupação do solo na capital amazonense e a relação do assunto com o Plano Diretor da cidade. Resolvi não só responder aos questionamentos do ‘seguidor’ como seus desdobramentos com assuntos pertinentes, como política e bíblia. Extraí pequenos trechos das perguntas que foram enviadas para melhor entendimento da minha posição.

..o problema está na fiscalização dessa ocupação existe também a necessidade de comissões de resposta a desastres naturais, para que medidas preventivas e mitigativas sejam preparadas antecipadamente, tendo assim, uma resposta mais eficiente a estas catástrofes..
Outro problema é que nós enquanto arquitetos & urbanistas até planejamos a ocupação do solo, porém o critério técnico é deixado de lado muitas vezes, para ações ou políticas, ou então de apadrinhamento de entidades ‘não governamentais’…
“... penso também que no Governo do Justo podemos ter um papel importante e eficiente como igreja para o auxílio e conscientização para uma ocupação do solo ordenada…” 

Serão 4 palavras que começam a ser publicadas a partir de hoje, que são: 

1 –Refletindo sobre Política;
2 – Refletindo Política à luz de Jesus e os apóstolos;
3 – Refletindo sobre o propósito da política segundo a Bíblia; e
4 – Plano Diretor.

Refletindo sobre Política

O termo política é derivado do grego antigo e se refere a todos os procedimentos relativos a “polis”, ou a Cidade-estado. Assim, pode referir-se tanto ao Estado, quanto à sociedade, comunidade e definições que se referem à vida humana.

Segundo a autora Hannah Arendt, filósofa alemã (1906-1975), política “trata-se da convivência entre diferentes”, pois a política “baseia-se na pluralidade dos homens”. Assim, se a pluralidade implica na coexistência de diferenças, a igualdade a ser alcançada através desse exercício de interesses, quase sempre conflitantes, é a liberdade e não a justiça, pois a liberdade distingue “o convívio dos homens na pólis de todas as outras formas de convívio humano bem conhecidas pelos gregos”.

Segundo Nicolau Maquiavel, em O Príncipe, política é a arte de conquistar, manter e exercer o poder, o próprio governo. Ainda existem algumas divergências sobre o tema. Para alguns, política é a ciência do poder e, para outros, é a Ciência do Estado.

O que a Bíblia tem a dizer sobre política? Na verdade, não encontramos na Bíblia a palavra “política” nem uma definição da mesma. Obviamente, não poderia porque a Bíblia não é um manual ou tratado político. Porém, de Gênesis a Apocalipse, encontramos a ideia explícita de política.

Folheando suas páginas, verificamos que o conceito bíblico de política é o conceito do próprio Deus e de seus escritores sagrados. A arte de bem governar e administrar com competência são exigências constantes de Deus. Basta lermos, como exemplo, o livro do profeta Isaías. Isaías é corretamente denominado pelos estudiosos de “profeta da justiça social”. Sua reivindicação pela justiça social, como resultado de uma política responsável e consciente, era vinda do próprio Deus que o enviara a profetizar.

Os reis que governaram sob o temor de Deus e em obediência à sua Palavra foram bem sucedidos. O segredo de uma política eficiente não está na forma de governo (monarquia, democracia, etc), nem no regime político (parlamentarismo, presidencialismo), mas na aplicação prática dos princípios morais e civis da lei de Deus. Não estou dizendo que devamos restabelecer a teocracia que Israel acabou abandonando. No mundo em que vivemos, é impossível um governo teocrático. Contudo, quando os princípios bíblicos regem a conduta e a moral dos dirigentes e do povo, Deus abençoa a nação.

Quando João Calvino (1509-1564) aplicou em Genebra (Suíça) os princípios da “constituição de Deus”, a Bíblia, ele revolucionou de maneira extraordinária a vida daquela cidade. A reforma religiosa e político-social de Calvino é um marco da história, um marco que comprova, entre tantos outros exemplos semelhantes, que fé em Deus e administração pública são uma mistura que dá certo.

Que Deus nos dê homens e mulheres segundo o Seu Coração para governar. “E eu suscitarei para mim um sacerdote fiel, que procederá segundo o meu coração e a minha alma, e eu lhe edificarei uma casa firme, e andará sempre diante do meu ungido.” (I Samuel 2:35).

Graça e Paz

Provérbios 3

Filho meu, não te esqueças da minha lei, e o teu coração guarde os meus mandamentos. Porque eles aumentarão os teus dias e te acrescentarão anos de vida e paz. Não te desamparem a benignidade e a fidelidade; ata-as ao teu pescoço; escreve-as na tábua do teu coração, e acharás graça e bom entendimento aos olhos de Deus e do homem. Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.

Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal. Isto será saúde para o teu âmago, e medula para os teus ossos. Honra ao SENHOR com os teus bens, e com a primeira parte de todos os teus ganhos; e se encherão os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares. Filho meu, não rejeites a correção do SENHOR, nem te enojes da sua repreensão. Porque o SENHOR repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem.

Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento; Porque é melhor a sua mercadoria do que artigos de prata, e maior o seu lucro que o ouro mais fino. Mais preciosa é do que os rubis, e tudo o que mais possas desejar não se pode comparar a ela. Vida longa de dias está na sua mão direita; e na esquerda, riquezas e honra. Os seus caminhos são caminhos de delícias, e todas as suas veredas de paz. É árvore de vida para os que dela tomam, e são bem-aventurados todos os que a retêm. O SENHOR, com sabedoria fundou a terra; com entendimento preparou os céus. Pelo seu conhecimento se fenderam os abismos, e as nuvens destilam o orvalho.

Filho meu, não se apartem estas coisas dos teus olhos: guarda a verdadeira sabedoria e o bom siso; Porque serão vida para a tua alma, e adorno ao teu pescoço. Então andarás confiante pelo teu caminho, e o teu pé não tropeçará. Quando te deitares, não temerás; ao contrário, o teu sono será suave ao te deitares. Não temas o pavor repentino, nem a investida dos perversos quando vier. Porque o SENHOR será a tua esperança; guardará os teus pés de serem capturados.

Não deixes de fazer bem a quem o merece, estando em tuas mãos a capacidade de fazê-lo. Não digas ao teu próximo: Vai, e volta amanhã que to darei, se já o tens contigo. Não maquines o mal contra o teu próximo, pois que habita contigo confiadamente. Não contendas com alguém sem causa, se não te fez nenhum mal. Não tenhas inveja do homem violento, nem escolhas nenhum dos seus caminhos. Porque o perverso é abominável ao SENHOR, mas com os sinceros ele tem intimidade. A maldição do SENHOR habita na casa do ímpio, mas a habitação dos justos abençoará. Certamente ele escarnecerá dos escarnecedores, mas dará graça aos mansos. Os sábios herdarão honra, mas os loucos tomam sobre si vergonha.

Graça e Paz.