Em defesa da Família

Marcel Alexandre da Silva é vereador do município de Manaus, eleito para o quadriênio 2008-2012. Em 2010, foi candidato a Deputado Federal, obtendo quase 50 mil votos. Nesse mesmo ano foi eleito 1° vice-presidente da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Manaus. Tem exercido liderança entre vereadores evangélicos na CMM. Também é Apóstolo do Ministério Internacional da Restauração. Casado com a Apóstola Joice Alexandre da Silva, juntos desenvolvem um amplo trabalho na comunidade cristã, há mais de 20 anos.

No dia 4 de maio de 2011, ocorreu algo que marcou a história da sociedade brasileira: o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, por unanimidade, a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar. Na prática, as regras que valem para relações estáveis entre homens e mulheres serão aplicadas a casais homossexuais. Houve manifestações favoráveis e contrárias à decisão do STF. O Vereador Marcel Alexandre foi à tribuna da CMM e afirmou: “O reconhecimento dessa família ilegítima criará uma ditadura gay no Brasil. Em respeito à família natural que Deus criou, eu protesto contra esta decisão, contra este abalo da moral e essa inconseqüente decisão”.

Seu posicionamento contrário à união homoafetiva é exposto a seguir, com argumentos importantes do ponto de vista legal, moral e social.

1. Na posição de Parlamentar, devo dedicar especial atenção às leis:

O art. 226 da Constituição Federal, (de 1988), a Carta Magna da nação brasileira, afirma: “A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 3º – Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”.
 

A referida decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) violentou o texto da Carta Magna da nossa nação, pois esta define casamento como a união entre um homem e uma mulher (art. 226, §3º, 4º e 5º). Não compete ao STF modificar algo que está estabelecido na Constituição. Se a Constituição precisar ser modificada, não compete a um grupo de onze juízes do STF fazê-lo; mudanças em nosso documento maior têm que ser discutidas com a sociedade e percorrer os trâmites legais já definidos: passarem por discussões primeiramente na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
Ao Supremo Tribunal Federal compete, precipuamente, a guarda da Constituição, (conforme definido no art. 102 da própria Constituição Federal) não rasgá-la. O texto constitucional acima grifado está suficientemente claro do ponto de vista da Língua Portuguesa. Nele consta homem e mulher como entidade familiar. O Judiciário brasileiro violou o princípio de “Balanços e Contra-pesos” que prevê a equivalência e a harmonia entre os Poderes num estado democrático de direito. Foi inaugurado, então, um novo tempo em que um grupo de juízes poderá fazer as alterações que eles quiserem, como se fossem mais poderosos que a vontade de toda a nação. Ora, as decisões de um grupo de juízes valem mais que a Constituição? O que aconteceu é um enorme perigo, pois praticamente inaugurou um governo de juízes no Brasil – o que enfraquece todas as instituições brasileiras, inclusive, o próprio Governo. Permitindo isto, estamos correndo o perigo de viver um Estado Jurídico de exceção, ao qual a nação brasileira não deseja retroceder. Desde quando compete ao Judiciário legislar?

2. Na posição de sacerdote da Igreja, devo considerar o que Deus pensa sobre o assunto:

 
O que está acontecendo está em franca discordância com a Palavra de Deus. Na Bíblia Sagrada, o relato da criação no livro de Gênesis, capítulo 1, versículo 27, diz: “… à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Portanto, como sacerdote, comissionado por Deus para proteger a família como a primeira instituição criada por Ele na Terra, não poderia jamais concordar com tal aberração. Se Deus existe, Ele precisa ser considerado. Se somos criaturas de Deus, Ele tem algo a dizer sobre as nossas vidas.  A questão é que a sociedade está se secularizando, ou seja, se afastando cada vez mais daquilo que é bíblico, daquilo que é considerado sagrado. A relação homoafetiva está na contramão do que Deus planejou para as pessoas e para a família. A coisa é tão séria que o texto sagrado chama de “abominação”.
As Escrituras Sagradas citam no livro de Levítico, capítulo 18, e versículo 22: “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher: é abominação”. Segundo a Bíblia, a união homoafetiva não é uma relação de amor, mas uma paixão infame (ver Romanos 1:24 a 28). Se a Palavra de Deus é verdadeira, infalível e inerrante, qualquer lei humana que atente contra ela é uma conspiração contra Deus e contra a raça humana. Aqueles que creem na Bíblia sabem que Deus instituiu o casamento como uma união legal, legítima e santa entre um homem e uma mulher (Gênesis 2:24). Então, o que está por trás dessas novidades é o posicionamento de um grupo que, por não crer, quer legalizar aquilo que Deus considera ilegítimo. Cremos que Deus criou o ser humano, macho e fêmea, com direitos iguais e diferenças sexuais, para que se completem e cooperem com Ele na criação e na formação da humanidade.

3. Na posição de cidadão, devo lutar pelo direito à liberdade na sociedade, e pelo direito de TODOS os cidadãos, inclusive o das crianças:
 

Os cidadãos brasileiros que conseguem fazer uma leitura aprofundada do que está acontecendo, sentem-se ameaçados e desprotegidos diante da decisão e da ação do STF – daqueles que poderiam ou deveriam manifestar-se em defesa da família, entendida pela Constituição, como a base da sociedade. O desenvolvimento e o bem-estar da raça humana dependem de famílias com pais e mães, não depende de bancos de sêmem ou de pessoas usadas apenas para a procriação de crianças. Toda criança tem direito de ter pai e mãe, e de viver numa família completa e harmoniosa. Toda criança tem o direito de curtir o amor de uma mãe e o amor de um pai – ambos imprescindíveis para o equilíbrio emocional, como nos mostra a ciência. Qual criança, se pudesse escolher, escolheria ser criada apenas por dois pais ou por duas mães? Infelizmente nossa sociedade está fazendo uma opção contra-Deus.
Como se não bastasse, ainda querem que aprovemos o PL 122, que vem a ser uma Lei que fere, inclusive, as conquistas adquiridas na DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, que afirma em seu artigo XIX: “Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”. É óbvio que ninguém tem o direito de coibir a escolha sexual de quem quer que seja – Deus deu ao homem livre arbítrio. Entretanto, uma Lei jamais pode impedir que qualquer cidadão considere impróprio ou imoral o comportamento homossexual. Aprendemos na Bíblia a amar as pessoas, independentemente de suas escolhas, mas não precisamos concordar com elas.
Os cristãos não são homofóbicos, como dizem. Muito pelo contrário; caracterizamo-nos por amar e respeitar as pessoas. Mas, vamos levantar nossa voz para dizer que o que querem que aceitemos é uma agressão aos lares dos cidadãos brasileiros.  Se alguém quer andar na contramão da Palavra de Deus, tem todo este direito, mas jamais vamos aceitar uma lei que privilegia uma minoria, em detrimento do direito de todos. Reconhecemos o direito dos homossexuais de serem tratados com respeito, mas, acima de tudo, está o livre arbítrio dado por Deus e que é uma das bases de uma sociedade livre: não vamos concordar em perder a liberdade fundamental de formar juízos e de exprimir opiniões, favoráveis ou desfavoráveis, nas questões de orientação sexual e em qualquer questão. Defendemos esta liberdade para nós, e também para os homossexuais ou para qualquer pessoa: todos somos livres e o que está acontecendo é uma agressão à liberdade.

 

Enfim, na junção desses três perfis que compõem minhas responsabilidades e atribuições, é que desenvolvo a fundamentação para o meu posicionamento. Meu objetivo não é o de menosprezar as minorias de nossa sociedade, mas de atuar com justiça e discernimento em prol daquilo que é interesse da sociedade, certamente, da maioria que não está sendo ouvida. Defino justiça como a ponderação de ideias e de consequências que uma única decisão pode provocar ou deixar de provocar. Dito isto, o mais cabível neste momento seria prezar pelo direito democrático da soberania da sociedade propondo a realização de um plebiscito. Ou seja, uma consulta popular para saber o que o povo brasileiro pensa acerca desse assunto tão polêmico. O povo não é bobo e está entendendo o que está acontecendo. Diremos NÃO a toda atitude anticonstitucional!
Matéria publicada na revista do 14º Congresso Internacional da Visão Celular no Modelo dos 12 do Ministério INternacional da Restauração (MIR)

One thought on “Em defesa da Família

  1. A sociedade justa que sempre sonhamos, tem a base na família. Família desestruturada gera sociedade desestruturada. Já é difícil administrar a situação que está – O caso Welington (que assassinou as crianças na escola) é só mais um triste exemplo – imagine com a total quebra de princípios.
    A Palavra diz que o povo perece por falta de entendimento.A mídia, não abre espaço para que haja uma discussão justa sobre o assunto, e temos que ser sábios quanto à leitura que estamos passando pra sociedade.
    Quando converso com pessoas não cristãs, sobre o assunto, elas até concordam que a família tem que estar em primeiro ligar. Mas, percebo claramente que o que já foi inculcado nela é que somos contra a pessoa do homossexual, que estamos sendo preconceituosos.
    A nossa guerra não é contra a pessoa que decidiu trilhar o caminho do homossexualismo, até porque essa pessoa, também é amada do Senhor.Jesus pagou um preço por ela também.
    Temos que ficar atentos para as ciladas do diabo, através dessa mídia maligna, que tem promovido a total quebra de princípios.

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