História de Vida (parte 3)

Marcel Alexandre estava, aos poucos, construindo uma história digna de orgulho. Com o passar do tempo, esteve envolvido em muitas ações missionárias, na época ele associava a pregação da Bíblia com apresentações musicais, o que lhe abriu diversas portas. As pessoas eram influenciadas por seu discurso e testemunho, e sempre comentavam que ele tinha vocação para ser pastor.
Aos 19 anos, ele foi convidado para trabalhar em uma cruzada missionária que visitaria várias cidades desde a Bahia até a Argentina. Ele precisaria tirar férias do trabalho junto com as férias da faculdade para ir, e conseguiu. Seriam 30 dias de viagem à trabalho pela igreja, e ele mal podia esperar o que aconteceria. Parece que Deus estava preparando uma “armadilha santa” para ele.
Logo no primeiro dia, a equipe estava diante de um problema: nenhum dos jovens queria ser o primeiro a palestrar, talvez por medo, ou por timidez. De qualquer forma, Marcel Alexandre se ofereceu para o desafio. “Eu fui lá e preguei na primeira noite. A equipe gostou tanto que eu me tornei o conferencista oficial”, lembra.
Aquele foi apenas o começo. Segundo relatado, aqueles 30 dias foram como um bombardeio para as suas convicções. Em todo lugar que ele pregava, as pessoas ficavam impressionadas com o seu testemunho, a sua paixão pelos ensinamentos bíblicos, e pela sua capacidade de ensinar. Mas o que mais parecia impressionar as pessoas era o fato de ele não ser pastor. “Quando as pessoas descobriam que eu era funcionário de um banco, elas ficavam tentando me convencer que eu estava fazendo a coisa errada, que eu devia ser pastor”, disse ele.
Marcel Alexandre fez todo o percurso de volta, se sentindo cada vez mais abalado pelos resultados da campanha. O sucesso da estratégia foi excelente, e as pessoas continuavam tentando convencê-lo a ser pastor. Ele estava sendo pego de surpresa, mas parece que Deus não estava satisfeito. Como se não bastasse, no último dia, ao sair da última igreja, na última cidade antes de voltar pra casa, uma senhora que ele nunca viu na vida o abordou e disse algo que ele nunca esqueceria.
“Eu tenho um presente que não é muita coisa, mas que vai definir a sua vida”, disse aquela senhora. Era um pequeno folheto virado de cabeça para baixo. Marcel Alexandre pegou o papel e virou o outro lado, tentando entender o que ela queria. Nele havia um mapa do Brasil com a seguinte mensagem “levanta a tua voz e anuncia”. Ele lembra que aquilo foi como a gota d’água: “aquilo realmente marcou minha vida. Algo tão simples, mas gigantêstico”.
Ele não estava pronto para toda aquela experiência. Ao voltar para o seu dia-a-dia de trabalho e estudos, se sentiu em um período muito forte de confrontos pessoais. De lá pra frente, Marcel Alexandre tinha perdido a motivação de continuar naquela faculdade, naquele trabalho… era como se o desejo que ele já tinha de se dedicar ao exercício da igreja estivesse fervendo dentro dele, e os seus líderes estavam percebendo aquilo.
No próximo capítulo:
Como Marcel Alexandre encontrou com sua “grande paixão de criança”.