História de vida (parte 1)

A história de Marcel Alexandre é marcada pelo seu trabalho como pastor, sua dedicação ao trabalho social, e principalmente por um amor especial pela região amazônica. Nessa história, aprende-se que desafios podem ser vencidos, horizontes podem ser ampliados, pessoas simples podem alcançar grandes conquistas, e que todas as coisas realmente cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Deus que, curiosamente, parece orquestrar circunstâncias para levar o ser humano a alcançar o seu desígnio. Hoje Marcel Alexandre continua perseguindo o seu desígnio, mas toda essa história começou em Salvador, no dia 04 outubro de 1963.

Marcel Alexandre nasceu em Salvador, Bahia. Viveu com mais 12 irmãos na região que hoje é o bairro Fazendinha. Desde criança, Marcel Alexandre tinha algumas coisas de diferente: por um lado, um menino muito religioso, por outro, um curioso fascínio pela região Amazônica.

Tudo o que ele sabia sobre a Amazônia era limitado ao que estudava nos livros escolares e o que via na televisão. Ele relata que sempre teve um interesse especial pela floresta, pelos igarapés, igapós, e pelas lendas da região (com um destaque carinhoso para a lenda de como surgiu o Rio Amazonas). “Eu lembro que cheguei a chorar por causa da floresta. Eu queria vir e conhecer o Amazonas, mas eu não sabia como era possível estar aqui”, disse Marcel Alexandre.

Marcel foi criado em um lar religioso, e sempre participou das celebrações de sua igreja. Inclusive, desde cedo auxiliava o padre nas cerimônias de domingo de manhã. Ele conta que sempre foi muito ligado a Deus, e estava sempre envolvido nas atividades sociais da igreja. Além de freqüentar a igreja normalmente, Marcel também conta que gostava de ouvir uma senhora, também muito religiosa, que o ajudava a entender as práticas da igreja dentro do contexto da Bíblia.

Aos 15 anos, Marcel já era um rapaz influente na sua comunidade, e trabalhava para levantar donativos para pessoas necessitadas da comunidade, por meio de um programa de calouros que era organizado todo domingo à noite. Mas aquele domingo não foi um domingo comum na história de Marcel. Era dia da Procissão do Cristo Morto, mas Marcel chegou atrasado.

Marcel lembra que, de onde estava, ficou observando as pessoas caminhando, mas algo não estava normal. Por algum motivo, a única coisa que ele conseguia pensar era: “As mesmas pessoas que celebram o ‘Cristo Morto’ são as mesmas que o mataram… porque todos nós pecamos…”. Uma onda de sentimentos começou a inundar a cabeça daquele jovem enquanto ele refletia sobre a própria vida. “Eu ia todo domingo de manhã para a missa, mas eu já sabia que logo depois eu ia ‘passar uma tarde em Itapuã’”, relata Marcel. Ao pensar nas próprias atitudes, nas motivações que tinha, a vida começou a parecer incompleta, e, naquele dia, Marcel voltou pra casa mais cedo… reflexivo.

À noite, Marcel recebeu um convite especial. A vida dele nunca mais seria a mesma…